Penso na morte menos do que ela pensa em mim.
(Chico Anysio)
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1984 -
Autor: GEORGE ORWELL
segunda-feira, 26 de março de 2012
CHICO ANYSIO, IMORTAL
Os portões do céu abriram-se e, Deus em toda sua glória, veio receber Chico Anysio e todos os seus personagens. Percebendo a movimentação, a Morte imediatamente dirigiu-se aos portões do céu e pôs-se a observar a entrada do todos. Pantaleão passou e deu de braço; Bento Carneiro, uma cuspidela de lado; Bozó sorriu maliciosamente; Silva piscou e jogou um beijinho; Azambuja saindo da fila passou por trás e beliscou discretamente a nádega da Morte, que virando-se, ninguém viu, pois, ele rapidamente retornando à fila, entrou no céu. E assim, um a um, eles iam entrando rumo à imortalidade, quando a Morte resolveu questionar.
─ Isto não está certo. Um homem com duzentas e dez vidas, e eu não posso levar nenhuma. Todas merecem a imortalidade?
Deus, que até aquele momento a ignorara, respondeu:
─ Este homem dedicou suas vidas a alegria. Multiplicou risos em gargalhadas. Estimulou o pensamento crítico e as artes, praticou a generosidade. Utilizou cada uma com humor e sabedoria. Nada há para você aqui.
A Morte continuou observando a entrada de todos, até que, no fim da fila, apareceu sorrindo, Chico Anysio. E mais uma vez ela questionou:
─ Duzentas e dez vidas com humor e sabedoria? Isto é impossível. Eu não...
Com o dedo em riste, Deus interrompeu a Morte:
─ Calaaadaaa!!!
A morte abaixou a cabeça e retirou-se.
Abrindo os braços, Deus olhou para Chico Anysio e disse:
─ Vem, Chico, entra. Entra e vamos conversar. Mas, hein?!?!
Autor: Cicero Fernando Coutinho
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