Vale a pena ler:
PULP
CHARLES BUKOWSKI

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Leia e pense...

Um livro é uma janela pela qual nos evadimos.
                          (Julien Green)
EPÍLOGO 

O sangue escorria por baixo da porta, formando uma poça viscosa.
Algumas horas antes...
Ela caminhava pelos corredores da enorme feira de livros. Com calma entrava em quase todos os stands. Analisava vários livros, de vários gêneros, de vários autores. À tira-colo trazia seus originais, tantas vezes enviados para diversas editoras. Tantas vezes recusados com desculpas que nada explicavam, tantas vezes sem uma resposta sequer. Não entendia o porquê, se sempre encontrava livros no mesmo estilo e gênero, muitos em lançamento. Alguns apelando apenas para a moda literária do momento, sem apresentar nada de novo.
Horas e horas de caminhada, rápidas leituras e análises, finalmente sentou-se para um lanche. O vaivém da multidão, o falatório, os sons das chamadas publicitárias, as músicas, as pilhas de livros, tudo isso a deixava ainda mais inspirada. Sua criatividade aflorava, pois, sentia-se no seu meio, no seu mundo encantado, embora ainda não tivesse encontrado a porta mágica de entrada.
Terminado o lanche e, aproximando-se o encerramento do evento, dirigiu-se a um dos banheiros. Lá, trancou-se em um dos reservados e pôs-se a ler algumas páginas de seus originais. Cada original era rasgado e atirado com desânimo na lixeira. Rasgadas todas as folhas, pegou a lixeira e, aos poucos foi despejando na bacia sanitária, acionando ao fim de cada despejo o mecanismo de descarga.
Ao fim do processo, sentou-se e, inclinando-se para frente amparou a cabeça com ambas as mãos. Suas frustrações despencaram sob a forma de lágrimas.  Esgotadas as lágrimas, veio-lhe a inspiração de uma história definitiva, uma história que finalmente despertaria o interesse de todos.
A mão trêmula retirou da bolsa um estilete.  Depois de usá-lo duas vezes, ela recostou-se, deixando seus braços pendentes ao lado do corpo. De seus olhos, escorriam novas lágrimas, de seus dedos escorriam sangue.
O pavilhão esvaziou-se. Os escritores e editores foram embora felizes, comemorando a divulgação e vendas de seus livros. Os leitores satisfeitos e ansiosos por mergulhar nas páginas encantadas, em experimentar grandes aventuras e amores, aplacando assim, suas frustrações. Como eles, ela também, deveria ter comprado um livro... 

                                                              Autor: Cicero Fernando Coutinho

domingo, 6 de outubro de 2013

Leia e pense...

Fatos não deixam de existir porque são ignorados.
                              (Aldous Huxley)
ENQUANTO A CIDADE DORME

A noite já ia alta quando Claudio desceu as escadas.  Não gostava muito de sair de casa à noite, mas, tivera a idéia de fotografar a cidade durante a madrugada, para o concurso de fotografias no qual se inscrevera. Fotos noturnas são difíceis de serem feitas, mesmo com os equipamentos cada vez mais modernos, mas, exatamente por sentir essa dificuldade, ele pensou que teria que se superar, aumentando assim, as chances de obter excelentes fotos. Não pretendia ir muito longe, apenas caminhar alguns quarteirões em seu próprio bairro. Teve certeza de ter feito uma boa escolha quando viu as luzes do giroscópio do carro da polícia colorindo as paredes de uma casa. Um pequeno grupo de pessoas se aglomerava na frente da casa e, também era tingido pelas luzes. Imediatamente tirou a máquina digital da mochila e aproximou-se, já fotografando. Pensando que Claudio fosse da imprensa, um dos policiais, informou que se tratava de um caso de abuso sexual de menor. Um homem que se dizia pastor atraíra uma menina de 15 anos até sua casa para uma suposta vigília. A polícia foi chamada por uma vizinha que já estava desconfiada das frequentes visitas de meninas, sempre à noite.
            ─ Quando chegamos, a menor estava só de calcinha deitada na cama e, ele só de bermuda em cima dela. Fotografa mesmo a cara dele.  disse o policial enquanto segurava o rosto do homem algemado.
Com a sirene ligada, o carro da polícia saiu cantando pela madrugada. Claudio continuou a caminhar pensando na sorte que tivera. Havia feito várias fotos da casa e das pessoas sob as luzes do giroscópio. Alguns minutos se passaram e outra aglomeração de pessoas chamou sua atenção, desta vez, nas proximidades de um bar. Duas mulheres completamente bêbadas se embolavam em seus próprios cabelos, enquanto aos gritos, rolavam no chão. Receoso e, procurando ser o mais discreto possível, Claudio clicou algumas vezes o combate feminino e as pessoas que ao redor assistiam e nada faziam, a não ser, rir.  Afastou-se do local quando as mulheres, cansadas, trocaram os tapas e unhadas pelos xingamentos. Mal acabara de guardar a máquina na mochila, assustou-se com um mendigo que se escondia sob camadas de papelão e, ao vê-lo passar pediu um cigarro. Parou para dizer que não fumava e, acabou puxando conversa com o decepcionado mendigo que foi logo dizendo:
            ─ Não tem cigarro? Pô, maió vacilo. Não quero conversa, quero um cigarro pra enganá a fome.
Claudio abriu a mochila e ofereceu um pacote de biscoito. O mendigo deu um sorriso negro, enquanto quase tomava o pacote da mão de Claudio. Mais ou menos, uns seis biscoitos depois, o mendigo conversava como se ambos fossem velhos conhecidos. Falou sobre sua vida, sobre as noites nas ruas, e várias outras coisas enquanto era fotografado.  A conversa durou até o último biscoito ser engolido. Enganada a fome, o mendigo despediu-se e novamente camuflou-se sob as camadas de papelão.
Passando por uma esquina, Claudio foi abordado por um travesti de voz quase robótica. Parou, agradecendo o convite e, apresentando-se como fotógrafo, perguntou se poderia fazer umas fotos do travesti em seu local de trabalho.
            ─ Vou sair no jornal, é? Se eu soubesse tinha vindo loira hoje. Pode dar seus cliques, querido. Mas, só de longe. Nada de close, hein...
O travesti saracoteou para lá e para cá, exibindo todo o seu estoque de olhares, bocas e poses. Claudio notou que, havia uma espécie de divisão de territórios. Em um lado da rua ficavam os travestis e no outro as mulheres. Utilizando-se dos recursos da máquina, aproveitou para registrar a organizada e, até aquele momento, pacífica concorrência. Agradeceu ao travesti, que retribuiu com um biquinho vermelho. Continuou a se embrenhar na noite, chegando desta vez ao local onde havia acontecido uma violenta colisão entre dois veículos. Misturou-se aos fotógrafos que já estavam no local, fotografando a tragédia de vários ângulos. A deformação dos carros completamente retorcidos, as ilhas de sangue pelo chão, o corpo coberto com papelão, que o fez lembrar-se do mendigo, as luzes dos carros da polícia e das ambulâncias iluminando o macabro show, assistido por várias pessoas saídas de todos os cantos da noite. Quando se afastava, mais um carro da polícia se aproximou do local. Dentro do carro, no banco traseiro, um jovem casal. Um dos policiais saiu e, apertando a mão de outro que estava no local do acidente, disse:
            ─ O negócio foi feio aqui.
            ─ Se foi. Por sorte não morreram todos. Sábado é fogo, mas, já está tudo sob controle.
            ─ Ok! Estamos indo para a DP. Apreendemos o casalzinho ali no flagrante. Fazendo saidinha de banco. Usaram crack. Ele tem dezessete e ela dezesseis anos. Os pais nem devem imaginar o que eles andavam aprontando por aí.
Claudio olhou para o relógio e, arregalou os olhos ao ver que faltava pouco para o amanhecer. Sem perceber, havia se afastado muito de casa. Andara quilômetros. Dentro do ônibus, viu a cidade gradativamente se iluminar com a luz do dia.  Enquanto descarregava as fotos da máquina para o computador, pôs-se a relembrar as desventuras que havia presenciado. Examinou atentamente cada fotografia, sentindo-se um alienado, por, nem ao menos imaginar, que tudo aquilo acontecesse enquanto a cidade dorme.

                                                        Autor: Cicero Fernando Coutinho

domingo, 8 de setembro de 2013

TENHA NA SUA ESTANTE:
Resumo do livro: “Carlinhos deveria ser apenas mais um jovem abastado morador de Ipanema. Vindo de uma família destruída, vítima da perda do seu pai ainda na infância, o que lhe sobra em dinheiro falta em amor, afeto e atenção. Pelo menos segundo sempre lhe pareceu. Ao completar dezoito anos, Carlinhos finalmente recebe, com a maioridade, o direito de administrar sua própria parte na herança. A partir desse momento, a vida rica da alta sociedade carioca, almejada e perseguida por tantos, se transforma na sua maldição.”
Para mais detalhes da obra, acesse: https://www.facebook.com/UmRatoDeTresCabecas

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Leia e pense...

É espantoso como é completa a ilusão de que beleza é bondade.
                                                   (Leon Tolstoi)


Nossos sentidos não nos enganam. O que nos engana é o nosso julgamento.
                                                   (Johann Goethe)
UM ANJO CUIDA DE VOCÊ

O coração de Lilian disparou quando os seus olhos cruzaram com os olhos do homem que acabara de entrar no ônibus. Um homem de meia idade, que apesar de, até estar bem vestido, tinha uma aparência rude, sinistra e intimidadora.  Ele olhou para todos os passageiros do ônibus, sentando-se depois, justamente ao lado de Lilian que sentiu um calafrio percorrer seu corpo aumentando seu desespero.  Instintivamente, levantou-se, pedindo licença ao homem e sentou-se pouco a frente, ao lado de um rapaz que notando seu nervosismo perguntou:
            ─ Tudo bem com você?
Abaixando a cabeça e sem olhar para o lado ela respondeu:
            ─ Acho que aquele homem que subiu agora no ônibus, ia me assaltar.
O rapaz olhou para trás e, ao ver que o homem os observava, fechou o semblante, não conseguindo, porém, encará-lo por muito tempo.
            ─ Fique tranquila, ele não se atreverá a fazer nada enquanto você estiver aqui perto de mim.
Alguns minutos depois, ela ainda nervosa falou:
            ─ Está chegando o meu ponto e, estou com medo de descer e ele vir atrás de mim.
            ─ Posso descer também e acompanhar você até sua casa?  ─ perguntou o rapaz.
            ─ Sim. ─ ela respondeu trêmula.
            ─ Então, vamos. Não tenha medo. Eu estou com você.
Quando o ônibus arrancou, ela não resistiu e olhou, tentando ver se o homem realmente havia ficado em seu interior. Novamente seus olhares cruzaram-se, acelerando seu coração e trazendo de volta ao seu corpo o calafrio.
Três meses depois, caminhando de mãos dadas, eles, agora namorados, relembravam o dia em que haviam se conhecido.
            ─ Você estava branca de medo quando se sentou ao meu lado.
            ─ Seu bobo. Aquele homem horroroso entrou no ônibus só para me fazer mudar de lugar e conhecer você. Meu Anjo da Guarda.
            ─ E eu conheci minha Princesa solitária. Minha Branca de Medo. ─ disse ele rindo, enquanto ela dava tapinhas de amor em seu braço.
            ─ Seu Bobo da Guarda.
            ─ Tá bom, tá bom... Minha Branca de Neve.
Ela despertou sentindo uma forte dor de cabeça. Sua visão estava embaçada, seu corpo pesado. Esticou o braço para o lado, tentando encontrar seu príncipe, mas, estava só na cama. Quando sua visão começou a clarear, levantou-se com dificuldade, tonta e cambaleante. Procurou pelo seu telefone celular e, enquanto andava pela casa percebeu a falta de seu precioso notebook, além de outros eletroeletrônicos e objetos de valor. Para seu desespero sua bolsa também havia sumido, juntamente com seus cartões de crédito.
O som ininterrupto da campainha podia ser ouvido em todo o prédio. A porta foi aberta por uma mulher sarada, de corpo visivelmente malhado, vestindo um micro short e mini blusa.
            ─ Que negócio é esse aqui na minha porta? Quem é você?
            ─ Quero falar com o Flavio.
            ─ Que Flavio? Cê tá maluca? Aqui não tem ninguém com esse nome.
            ─ Como não tem? Eu estive aqui algumas vezes, com ele.
            ─ Querida, eu moro aqui sozinha. Se você não parar de fazer escândalo na minha porta, eu vou chamar a polícia.
Percebendo que não teria como provar que realmente estivera algumas vezes no apartamento, ela desistiu. Saiu do pequeno prédio de quatro andares, chorando, completamente desolada.
Quando já se aproximava de casa, sentiu um calafrio, que logo se transformou em medo, ao reconhecer no homem que encostado em um poste, a observava, aquele que tentara assaltá-la há alguns meses. Tentou ignorá-lo e acelerou o passo, mas parou pouco adiante ao ouvir o homem perguntar:
            ─ Ele enganou você, não foi?
Trêmula, ela virou-se e, ainda chorando, perguntou:
            ─ Como você sabe disso? Você conhece ele?
            ─ Conheço você. Desde que nasceu.
            ─ Me conhece como? Eu nunca havia te visto até aquele dia no ônibus.
            ─ Você nunca havia me notado. Mas, infelizmente, naquele dia você me notou apenas porque me temeu. Julgou-me pela minha aparência. Não permitiu que eu a ajudasse. Mas, venha comigo que você entenderá o que estou dizendo.
O homem começou a caminhar. Seus passos eram firmes e rápidos, ela quase corria tentando acompanhá-lo.
            ─ Espere um pouco. Pra onde estamos indo? Será que posso confiar em você? Você é da polícia?
            ─ Se pode ou não confiar em mim, cabe a você decidir. Se eu sou da polícia? De certa forma pode-se dizer que sim. Para onde estamos indo? Veja você mesma, já chegamos.
Olhando à sua volta, ela se deu conta de estar na rodoviária.
            ─ Mas como chegamos aqui tão rápido? Estávamos em um bairro bem distante daqui.
            ─ Tempo e espaço são relativos. Einstein sabia o que estava falando. Olhe lá embaixo. Na fila do segundo ônibus.
            ─ É ele. Vamos até...
Antes que ela terminasse a frase, o homem segurou em seu braço. Ao sentir seu toque ela arrepiou-se. Quando olhou novamente para frente, já estavam a apenas alguns metros de Flavio, que ao vê-los, correu na direção oposta.
Ela o perseguiu, mas, o perdeu de vista na saída da rodoviária. Procurou em vão pelo homem que a acompanhara até ali. Ao se ver mais uma vez sozinha começou a caminhar e chorar, quando alguns metros adiante percebeu em uma rua pouco iluminada os dois homens parados, como que preparados para um confronto. Correu na direção de ambos:
            ─ Flavio, o que aconteceu? Por que você me roubou? Por que estava fugindo?
Flavio apenas olhou para ela e sorriu. Seu sorriso era tão encantador que a fez sentir vontade de abraçá-lo.
            ─ O que quer que tenha acontecido eu vou entender. Preciso de você. Você é o meu Anjo da Guarda.
Flavio gargalhou alto e, olhando para o homem à sua frente disse:
            ─ Está vendo? Ela acha que eu sou o Anjo da Guarda dela.
O homem olhou sério para Lilian, dizendo:
            ─ Você continua fazendo julgamentos errados. Ele é um espírito errante, que se alimenta do amor e da crença de suas vítimas. Precisa ganhar a confiança das pessoas para depois enganá-las. Só assim consegue restaurar suas forças. Alimentando-se da crença, da decepção e do desespero de suas vítimas.
Chorando cada vez mais, ela perguntou:
            ─ Isso não é verdade. Como você sabe disso?
            ─ Eu sei por que eu sou o seu Anjo da Guarda. E não ele.
Lilian não conseguia mais controlar o choro. Sentindo-se fortalecido com a situação, Flavio investiu contra o homem que, rapidamente esquivou-se segurando-o pelo braço. Os dois encontravam-se agora frente a frente, medindo forças. Flavio tentava a todo custo evitar que o homem segurasse em suas mãos. Mas, seus esforços foram em vão, pois, depois de algum tempo o homem finalmente conseguiu segurá-las e dominá-lo.  Um brilho intenso tomou conta das mãos entrelaçadas. Instintivamente Lilian virou o rosto para o lado e antes que pudesse fechar os olhos, ouviu o homem dizer:
            ─ Vire-se e feche bem os olhos.
Ela obedeceu e, mesmo assim pôde perceber um imenso clarão tomar conta do local. Quando momentos depois abriu os olhos e virou-se, viu apenas o homem caído de joelhos e ofegante.
            ─ Onde está o Flavio? O que aconteceu com ele?
            ─ Ele recebeu uma dose maciça de energia e transformou-se em luz.
            ─ Transformou-se em luz? Como isso é possível?
            ─ Ele era um ser feito de trevas e foi transformado em luz. Está agora percorrendo o espaço, entre as estrelas.
Caminhando ao lado do homem ela, envergonhada, não sabia o que dizer.
            ─ Me perdoe por ter achado que você, o meu verdadeiro Anjo da Guarda, era um ladrão.
            ─ Você fez o que a maioria das pessoas insiste em fazer.  Julgar baseando-se apenas na aparência física. Desde crianças, vocês aprendem que devem associar a beleza ao Bem e a falta de beleza ao Mal. Mas, a realidade não se apresenta como nos filmes em que os anjos são sempre jovens, loiros de olhos azuis ou verdes, atléticos e com lindas asas brancas. O Bem e o Mal não possuem formas definidas, nem tão pouco, estão associados à beleza ou a sua falta. É tudo uma questão de luz e trevas. Apenas isso.
Eles caminharam em silêncio por um tempo, até que ela perguntou:
            ─ Vou vê-lo novamente? Você estará por perto sempre que eu precisar?
            ─ Pode ser que você me veja novamente ou não. Posso ajudá-la mesmo que você não perceba minha presença. Quando entrei naquele ônibus eu tentei avisá-la apenas olhando para você. Mas, ao me julgar e me temer, você bloqueou e recusou minha ajuda. Ainda tentei evitar sentando-me ao seu lado, mas, você exerceu o seu livre arbítrio e levantou-se. Tanto o Bem quanto o Mal, só podem agir em sua vida se você permitir. Foi o que você fez ao sentar-se ao lado dele e, hoje ao me acompanhar. Você permitiu que entrássemos em sua vida.
Ela parou e, chorando, pediu a ele um abraço. Ele a abraçou, e ela sentiu novamente um calafrio percorrer seu corpo, mas, desta vez não havia medo, e sim, uma sensação de luz e paz.
            ─ Obrigada. É a única coisa que posso dizer. Obrigada.
            ─ Vá em paz. Creia em Deus e, lembre-se sempre que, aonde quer que você vá, um anjo cuida de você. 


                                                           Autor: Cicero Fernando Coutinho