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CHARLES BUKOWSKI

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Leia e pense...

O maior sofrimento como a maior felicidade nascem do amor.
                                                     (Leoni Kaseff)
ETERNO ABRAÇO 

Helena. Bela e doce Helena. Encantou-me assim que a vi de pé em frente à janela, as mãos delicadas apoiadas no parapeito. Sua pele pálida, seus longos e ondulados cabelos negros e seus olhos castanhos e expressivos me cativaram. Ah, aqueles olhos! Encontraram os meus e demonstraram o que parecia ser surpresa, então, se esboçou em seus delicados lábios um sorriso tímido. Naquele momento meu coração fez-se escravo do seu.
Era seu décimo sétimo aniversário. Minha família, por ser conhecida da família dela compareceu. Eu acabara de chegar de viagem, e fui convidado a ir com eles à comemoração, em mais uma tentativa de minha mãe para animar-me.
─ Desejo-lhe vida longa senhorita. – eu disse, fazendo uma pequena reverência e depois beijando sua mão.
─ Agradeço-lhe cavalheiro.
Depois disso, mal nos falamos, mas nossos olhares se cruzavam a cada instante. Nos dias seguintes, passamos a nos encontrar às escondidas. Ela era cheia de vida, pura, inocente e curiosa como uma criança.
Eram muitas as vezes em que eu tinha que pedir para que ela andasse um pouco mais devagar, para que eu não me esforçasse muito. Eu, ao contrário dela, era enfermo e quando não estava em sua companhia, encontrava-me deitado na cama, tão fraco que não aguentava nem andar. A verdade era que, essas longas caminhadas que compartilhávamos me tiravam as forças, deixando-me cansado e fazendo-me ficar em repouso pelo resto do dia. Mas eu não me importava, se fosse para vê-la eu continuaria cansado.
Pouco a pouco, minha doença foi se agravando e quando o médico disse que eu teria pouco tempo de vida, resolvi não contar a ela, para que não vivêssemos esses últimos momentos rondados pelo medo. Porém, outra má notícia se anunciou: Helena seria desposada dali à apenas dois dias, pois, já havia sido prometida a outro homem sem que soubesse e, agora, teria de se casar.
Ao ouvir essa trágica notícia uma tristeza pesada como chumbo se depositou em meu coração e uma onda de tosse me invadiu. A preocupação fez-se evidente nos olhos de Helena, que me abraçou e, pouco a pouco, fez com que eu me acalmasse. Aninhada em meus braços ela tinha uma das mãos entrelaçada na minha e, apertava com força os olhos fechados, como se doesse fisicamente saber que em breve nos separaríamos. Como se quisesse que aquele abraço durasse eternamente.
Na tarde seguinte, nos encontramos e percebi que Helena havia se isolado, talvez para ignorar a dor. Disse a ela que não poderia lhe oferecer muito por causa da minha doença, mas que poderíamos fugir. Ela abaixou a cabeça fazendo cair as lágrimas que lhe brotavam dos olhos e, disse que não tinha o direito de fazer com que eu me sujeitasse a tão grande sacrifício. Depois, me olhou com uma tristeza desesperadora nos olhos, me pediu perdão e sussurrou: 
            ─ Não.
 E se foi, correndo e soluçando, deixando-me ali, nos braços da Morte.

                                                           Autor: Fernanda Coutinho