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CHARLES BUKOWSKI

sexta-feira, 20 de abril de 2012

CÍRCULO VICIOSO - Parte VI

Subjugada, Alice rendeu-se, entregou-se completamente ao desejo instintivo e incontrolável de Aquiles, que a possuiu furiosamente. Durante um longo tempo ele cavalgou-a, fazendo-a emitir gemidos e sons incompreensíveis em meio à contrações e espasmos de prazer. Em seguida, fez com que ela se ajoelhasse no chão, e inclinasse o corpo sobre a cama. Alice sentiu então, uma penetração vigorosa, profunda, que preencheu totalmente, sua carne, suas entranhas, atingindo seu ponto mais secreto e íntimo. Experimentando um prazer intenso e até então inconcebível, sua submissão e passividade foram dando lugar ao desejo despudorado de prazer e dominação. Ela deixou de pedir e passou a exigir que Aquiles lhe desse prazer e, a cada estocada, a cada centímetro de invasão, deliciava-se com as novas e intensas sensações que faziam seus músculos retraírem-se, sua pele arrepiar-se, levando-a a atingir um orgasmo tão intenso e prazeroso que a fez ter certeza de que não se tratava apenas de um orgasmo da carne, mas também da alma.
Ao sentir Alice estremecer de prazer, Aquiles segurou seus cabelos, preparando-se para o ato final e para a absorção de energia. Porém, antes que fizesse qualquer movimento, sentiu a cabeça de Alice pender pesada para o lado, enquanto ela desmaiava de prazer. Assustado, sentiu uma evasão de energia e teve dificuldade em interromper o coito. Vestiu-se rapidamente, deixando Alice desmaiada com metade do corpo sobre a cama e saiu silenciosamente.
O forte som do motor fez a menina correr até a janela na tentativa de ver o avião que chegava, sendo impedida pelo telhado verde, formado pela copa das árvores. Percebendo a curiosidade da menina, Elza puxou conversa.
            ─ Que correria é essa, menina? Parece que nunca viu um avião.
            ─ De pertinho nunca vi mesmo não. Só lá no alto do céu.
            ─ Se você me ajudar a fazer a comida, eu te levo pra ver os avião lá na pista do patrão.
            ─ Obaa! Leva de verdade dona Elza?
            ─ Claro que levo menina. Eu também gosto de ver aqueles avião, cada um mais bonito que o outro.
A menina apressou-se em lavar o arroz, enquanto Elza achava graça do seu entusiasmo. Havia se afeiçoado à pequena, que ainda exibia uma inocência infantil e, por isso, era tão valiosa para o seu patrão. Geraldo entrou na cozinha e arrancou uma banana d'água do cacho que estava sobre a mesa, descascando e colocando praticamente toda a banana na boca, sendo observado pela menina que ficara séria ao vê-lo.
            ─ Essa cabritinha fica me encarando de cara feia. Vê se pode isso, Elza? ─ disse Geraldo com a boca cheia e cuspindo. ─ Se não fosse a escolhida do patrão já tinha te amansado sua moleca atrevida.
            ─ Vai cuidar da sua vida, Geraldo. Quando a comida estiver pronta eu chamo você. Tá chegando um monte de gente e você sabe que o patrão não gosta de nada errado nesses dias.
            ─ Já tá tudo preparado, Elza. Só estou esperando as ordens dele. ─ respondeu ele, pegando mais uma banana antes de sair fazendo cara feia para a menina.
Em uma atitude de desafio, a menina olhou para ele de soslaio e apertou os olhos retribuindo a cara feia. Percebendo a coragem da pequena, Elza sorriu e comentou:
            ─ Mas onde já se viu?  Encarar o Geraldo desse jeito. Você não tem medo dele?
            ─ Eu não. Ele não é meu pai.
            ─ Pois devia. Todo mundo tem. Geraldo não é flor que se cheire. Devia ter nascido na época do cangaço.
Nesse momento mais um avião passou sobre a casa fazendo a menina sorrir para Elza.
Na sede da fazenda, Ronaldo Galdino recebia pessoalmente os convidados agradecendo a presença de todos. Na realidade seus convidados eram exatamente dez amigos, mas para cada um deles havia duas mulheres convidadas. Com comida e bebidas totalmente liberados, em pouco tempo praticamente todos estavam bêbados, principalmente as mulheres, que eram incentivadas ao consumo de álcool e drogas, para assim perderem a inibição. Mesmo sem consumir drogas, Júlia já bêbada, dançava e participava quase que inconscientemente das brincadeiras eróticas e, alguns copos depois da consequente orgia, assumindo assim, seu papel de bacante.  De madrugada, quando praticamente todos já haviam sucumbido ao cansaço, o avião trazendo Edna e Lúcio, aterrizou.  Sem demonstrar nenhum cansaço, ela dirigiu-se ao escritório onde Ronaldo a aguardava.
            ─ Entre Edna. Estava ansioso por sua chegada. Onde está o seu pastor alemão? ─ perguntou ironicamente, referindo-se a Lúcio.
            ─ Não vim até aqui para ouvir suas piadas, Ronaldo. Temos negócios a tratar. Sejamos diretos.
            ─ Tenho quatro meninas para você. Duas de catorze e duas de dezesseis. Amanhã você poderá vê-las. Mas quero fazer uma proposta.
            ─ E qual seria?
            ─ Você já deve ter percebido que amanhã iniciaremos mais uma jornada. Quero desafiar você e o Lúcio. Se o seu cãozi..., quer dizer, seu preferido, vencer, você as leva como parte do prêmio.
            ─ E se perdermos?
            ─ Você fica me devendo um favor.
            ─ Essa é boa. Acha mesmo que eu ficaria te devendo algo que nem imagino o que possa ser? Seja mais preciso se quiser um acordo.
            ─ Certo. Você não é tola e talvez já tenha percebido que há uma energia diferente no ar. Há outra como você, caminhando por aí. Eu a quero. Quero que você a encontre e a traga para mim. Ou vai querer que o seu reinado seja ameaçado?
Edna vislumbrou na proposta de Ronaldo, a chance de neutralizar de vez sua desconhecida rival. Como ele, em breve todos os lobos estariam a sua procura, o que poderia torná-la uma rival muito poderosa e perigosa, principalmente se fosse jovem.
            ─ Realmente, eu já desconfiava disso, mas você parece ter certeza. O que o leva a essa certeza?
            ─ A morte do lobo ancião. O mais velho de todos que caminhava por aqui, transferiu toda sua energia vital para uma jovem escolhida, antes de morrer. Isso aconteceu há um ano. E ela está por aí, solta, tendo que aprender sozinha a lidar com sua nova condição. Precisa de um mentor.
            ─ Um ano? E porque você ainda não a localizou?
            ─ Porque só fiquei sabendo de tudo isso, há três dias. E sei também que, encontrá-la, será muito mais fácil para você. Além de interessante.
            ─ Pretende usá-la nos seus rituais? Você não desiste mesmo, não é? Mas tudo bem, você me convenceu. Temos um acordo.
            ─ Sabia que você seria inteligente e aceitaria. Então, até amanhã, Edna, e que vença o melhor.
Chegando ao quarto, Edna encontrou Lúcio diante da ampla janela a observar a escuridão.
            ─ O que você está fazendo aí?
            ─ Esperando você. Há muitas aqui dessa vez. Posso sentir o cheiro de todas elas.
            ─ O Ronaldo quer todos os competidores bem atiçados. Ele me fez uma proposta. Se você vencer levamos as meninas como parte do prêmio.  Quatro ninfetas. Teremos um bom lucro com sua vitória.
Lúcio sorriu e aproximou-se de Edna, que já estava sem roupas, ajoelhando-se. Ela afagou seus cabelos e segurando em seu queixo o fez ficar de pé, beijando-o.
            ─ Venha querido, quero que você fique bem faminto. Em algumas horas você precisará de todo apetite e fúria que for capaz de conter.
Na manhã seguinte, ainda sofrendo os efeitos da bebedeira e do uso das drogas, o grupo foi convidado a participar de uma competição que premiaria a todos generosamente, com cinco mil reais, somente pela participação. E para os vencedores, caberia o prêmio maior de cem mil reais.  Os competidores seriam divididos em doze trios, compostos por um homem e duas mulheres, que seriam deixadas em pontos diferentes no interior da mata e, caberia ao homem descobrir a localização de cada uma das parceiras e depois reconduzi-las de volta.
            ─ É claro que não será fácil. Mas será divertido. Vocês terão que subir em árvores, mergulhar, nadar, descobrir trilhas e pistas na mata para poderem voltar. Mas garanto a vocês que tudo isso dentro da maior segurança. Não precisam se preocupar. ─ explicava Ronaldo ─ Sugiro que sejam espertos e dificultem a vida de seus adversários. Boa sorte a todos.
Em três pequenas lanchas, as mulheres, em grupos de oito, foram levadas pelo rio para os pontos onde cada uma seria deixada. Somente após o retorno das lanchas, os homens poderiam seguir a partir de um ponto pré-estabelecido.
Com exceção de Ronaldo e Lúcio, todos os homens não aparentavam boas condições, devido aos excessos da noite anterior. As lanchas retornaram e todos foram embarcados. Sem se falarem, Ronaldo e Lúcio seguiam na terceira lancha. Olhares furiosos se cruzavam num duelo de intimidação. Ao chegarem a uma bifurcação do rio as lanchas desligaram os motores para que todos pudessem mergulhar e, depois, continuar pelo interior da mata, a busca às mulheres. Mesmo tendo sido os últimos a mergulharem, em uma demonstração de incrível vigor físico, Ronaldo e Lúcio foram os primeiros a atingir a margem. E, antes de continuarem, silenciosamente trocaram um último olhar, que poderia ao mesmo tempo, ser de desafio ou respeito mútuo. Furiosos, famintos e sedentos, como uma matilha, todos se embrenharam na mata. Começava ali, uma caçada cruel e mortal.

                                             Autor: Cicero Fernando Coutinho

5 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Não sei porque que as palavras ficaram muito grudadinhas no comentário. Por isso, vou escrever novamente:

      Mais uma vez vc me deixou mergulhada na leitura e com o gostinho de quero mais. Parabéns!

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  2. Muito bom!!!A curiosidade continua.....

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  3. Muito bom o blog :}
    Estou seguindo, se puder passa no meu blog para conhecer..
    http://palavrasaoventoo.blogspot.com.br/
    Bom feriado. Um beijo!

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  4. Amei a história. Te faz viajar pelos sentimentos dos personagens. Muito bom mesmo. Parabéns Cícero :)

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