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PULP
CHARLES BUKOWSKI

terça-feira, 9 de agosto de 2011

ABDUSEDUZIDA

Depois de sujar bem as mãos embaixo do pára-lama do carro e passar pelas roupas, pelos braços e rosto, ele entrou em casa com cara de desespero. Já amanhecia e, sua esposa indignada, o encarou esperando por uma explicação.
            ─ Querida, você não imagina o que aconteceu.
Ela permaneceu calada, fulminando-o com um olhar inquisidor.
            ─ Se você não me disser, não vou saber mesmo. Minha imaginação não é tão fértil quanto a sua.
            ─ Deixe de ciúmes. Não está vendo o meu estado?
            ─ Estou. Você está desarrumado, sujo, parece que andou brigando ou se esfregando com alguém.
            ─ Venha cá. Sente-se para ouvir, pois, acho que você não vai acreditar.
Ela sentou-se na beira do sofá com um visível ceticismo no semblante. Tentando ser o mais convincente possível, ele começou a contar o que havia acontecido.
            ─ Eu estava na estrada, ansioso para chegar em casa depois de um dia cansativo de trabalho. De repente, uma enorme luz branca passou em alta velocidade por cima do carro, sem emitir um ruído sequer. Mais à frente a luz desapareceu e o carro enguiçou logo depois disso. Saí do carro e abri o capô para verificar o motor. E quando olhei para o lado vi dois vultos se aproximando, saindo detrás das árvores. Eles eram altos, fortes e usavam uma roupa preta que se confundia com as sombras. A roupa era brilhosa e parecia ser ao mesmo tempo a roupa e a própria pele deles. Coisa esquisita mesmo, só você vendo.
Calada, ela continuava a ouvir com um olhar de descrédito.
            ─ Sem nada dizer, eles me seguraram pelos braços e me conduziram à força para um local atrás das árvores onde havia uma nave aterrizada. Perguntei quem eram eles e o que queriam comigo e, para minha surpresa, um deles respondeu em português e com um sotaque que não consegui identificar, que eram do planeta Ébano e estavam já há algum tempo me monitorando.
            ─ Monitorando você? Essa é boa. E por quê? ─ perguntou ela totalmente descrente.
            ─ Não me disseram. Só me obrigaram a deitar em uma cama com vários equipamentos estranhos em volta. O ambiente era parcialmente iluminado e não dava para ver tudo direito, mas havia um espelho no teto que ajudava na visualização. Depois disseram que se eu não cooperasse, eles seriam obrigados a abduzir você também.
            ─ Eu? Como eles sabiam a meu respeito?
─ Você não está prestando atenção? Eu não falei que eles já estavam me monitorando? Isso inclui você também. Então, eles passaram uma espécie de lanterna diante dos meus olhos, que me deixou meio grogue, depois, recolheram amostras de sangue, cabelo, unha, saliva e até do meu esperma, pois disseram que eu tinha as características de um bom macho reprodutor.  Quando terminaram a coleta, saíram e me deixaram só. Quando finalmente me senti melhor, levantei, vesti minhas roupas e saí correndo da nave.
            ─ Então você estava nu?
            ─ Sim. Eles me obrigaram a tirar toda a roupa. Na fuga acabei deixando para trás aquela gravata linda que você me deu. E para piorar, enquanto corria, caí várias vezes, me sujei todo e levei mais de uma hora para achar o carro. É incrível, mas foi isso que aconteceu.  Por favor, querida, não conte para ninguém, pois, tenho medo que eles fiquem sabendo e voltem. E além do mais, ninguém vai acreditar mesmo.
            ─ E você espera que eu acredite nisso?
            ─ Mas claro! É a pura verdade. Agora vou tomar um banho e depois preciso dormir. ─ disse ele levantando-se rapidamente e evitando o interrogatório.
Enquanto ele banhava-se cantarolando e muito descontraído, para quem acabara de ser abduzido e submetido a experiências por seres de outro planeta, ela, seguindo o seu instinto feminino, vasculhou suas roupas e depois o carro, onde encontrou caído junto ao banco do carona, um cartão de visitas que dizia: "Termas Estelar – Nossas garotas são de outro mundo. Venha ser abduzido."
Enfurecida, ela contou até dez, e decidiu que daria o troco sem brigas ou escândalos. Deitou-se e, enquanto ele exausto roncava, começou a elaborar seu plano de vingança. Pensou em contratar os serviços de um scort masculino, mas achou arriscado. Cogitou várias situações, todas mirabolantes e praticamente impossíveis de serem postas em prática.
Passaram-se os dias e ela continuava obcecada em vingar-se do abduzido espertinho.   Em uma tarde de forte calor, ao abrir o chuveiro para tomar um banho, ela verificou que havia um vazamento de água na parede. Telefonou imediatamente para solicitar o reparo.
            ─ Oi, seu Moisés, tudo bem? Preciso que o senhor venha até aqui, pois, há um vazamento na parede, logo abaixo do chuveiro.
            ─ Entendi. Isso é fácil de consertar. Eu não posso ir, mas vou mandar meu sobrinho. Ele trabalha comigo e sabe fazer o serviço muito bem. Fique tranquila.
Pouco depois, ela assustou-se ao abrir a porta e dar de cara com um homem de quase dois metros de altura, forte, sorridente e com ares de conquistador barato. Ela o conduziu até o banheiro, mostrou-lhe o vazamento e saiu. Passados alguns minutos, ele a chamou e perguntou se ela tinha uma chave de boca, pois, havia esquecido a sua na oficina. Ela não conseguiu disfarçar ao vê-lo já sem camisa, com os músculos à mostra ressaltados pelo suor que escorria pelo seu corpo.
Horas mais tarde, ao entrar em casa ele estranhou o silêncio. Chegando ao quarto, sobre a cama totalmente desarrumada, ela, com os cabelos em desalinho e marcas vermelhas a cobrir-lhe o corpo completamente nu, dormia um sono angelical. Ele a acordou, perguntando o que havia acontecido. Ela sentou-se na cama e explicou:
            ─ Sente-se, pois, acho que você não vai acreditar no que aconteceu. Eu estava aqui dormindo quando de repente senti uma luz forte iluminar o quarto. Quando olhei, havia um homem muito alto, a pele escura, músculos salientes, parado diante de mim. Tentei levantar e correr, mas ele me segurou pelo braço e me atirou de volta à cama. Eu perguntei quem era ele e o que queria. Para minha surpresa ele respondeu que era um extraterrestre, um ebaniano e, que estava aqui para completar sua missão. Depois, ele rasgou minhas roupas e puxou-me com força para junto do seu corpo. O corpo dele era quente. Ele esfregou meu rosto em sua barriga definida e segurando minha cabeça obrigou-me a abaixar, introduzindo aquilo tudo em minha boca. Quase sufoquei, mas lembrei-me do que você havia falado sobre não cooperar e aguentei firme. Depois ele ergueu-me no colo, chupou de forma faminta os meus seios, introduziu sua enorme língua reptiliana em minha boca e ao mesmo tempo me penetrou de forma animalesca. Momentos depois, me senti como se estivesse experimentando uma explosão solar dentro de mim, tamanha foi a força e o calor interno e externo provocado. Não sei quanto tempo ele ficou ali em pé e dentro de mim. De repente ele atirou-me novamente sobre a cama e continuou em pé, apenas me observando. Virei de bruços e tentei rastejar para a cabeceira, mas ele segurou minhas pernas, abrindo-as e, puxando-me em sua direção, penetrou-me por trás, fazendo-me ver todas as estrelas do universo. Uma experiência tão incrível que, maravilhada, acabei desmaiando, só acordando agora com você me chamando, querido.
De boca aberta, mas sem nada poder dizer, ele ouviu todos os detalhes da explicação, paralisado como uma estátua.
De repente, a campainha tocou despertando-o do estado de choque em que se encontrava. Ao atender, ele espantou-se quando viu aquele homem alto, pele escura, músculos saltando camiseta a fora, que sorridente lhe disse:
            ─ Boa noite, doutor. Eu vim pegar minha chave de boca que eu esqueci aqui hoje à tarde, quando consertei o vazamento no seu banheiro.
            ─ Chave de boca? Vazamento? Quem é o senhor?
            ─ Ah! Desculpe. Sou o sobrinho do seu Moisés. Meu nome é Expedito Trancoso, mas pode me chamar de ET.

                                                                      Autor: Cicero Coutinho

7 comentários:

  1. Adorei esse texto.
    Final sensacional!!!
    beijos

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  2. Oie Cicero td beem??
    Estou mandando um selinho para seu blog, é só entrar nesse linck:
    http://des-autorizados.blogspot.com/2011/08/meme-e-selo-de-qualidade.html
    Bjks!

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  3. Fantástico! A história é boa e bem contada. Você tem um estilo simples, que envolve sem exageros. Parabéns.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Ah!!!Muito legal, é isso que acontece em ser abdusido......

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  6. Eitcha que eu gostei desse negócio de ser abduseduzida!
    despertou em mim uma imaginação interplanetária! rs..rs

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