Vale a pena ler:
PULP
CHARLES BUKOWSKI

terça-feira, 5 de outubro de 2010


CÍRCULO VICIOSO - Parte I


Não havia como não notar. Chegava a ser humilhante para as outras mulheres, mas a verdade é que, ela conseguia hipnotizar os homens, apenas com o seu jeito de caminhar. Todos a olhavam e desejavam, era uma reação instintiva, incontrolável, animalesca. E ela sabia, com uma maestria perversa, usar todo esse poder de fascinação em proveito próprio.
Quando se deu conta desse poder e, de como poderia usá-lo, sua vida modificou-se completamente. A cada mês que passava sentia-se mais habilidosa, mais voraz, mais poderosa e sem limites. Tudo que havia lido, que havia aprendido, estava incorreto e totalmente distante da verdade. E agora, mais uma vez, chegava a hora do ciclo se repetir, chegava a hora de exercitar o seu poder e alimentar-se do elixir da vida.
Dentro do carro o homem olhava impaciente para o relógio. Não podia mais disfarçar sua ansiedade, afinal estava esperando por uma deusa, uma mulher como jamais havia visto antes. Ao vê-la finalmente se aproximar, apressou-se em abrir a porta, tentando mostrar-se o mais confiante possível.
    ─ Demorei? ─ ela perguntou com uma voz propositalmente provocante.
    ─ Não. Você está linda. Valeu à pena esperar.
    ─ Tem certeza de que realmente quer ir?
    ─ Claro! Não se preocupe.
Já inebriado pelo perfume dela, ele deu partida no carro. Mal podia esperar para ter em seus braços, aquele corpo, aqueles cabelos, aquele olhar. Entraram na suíte do motel e, ele já sem poder se controlar, avançou sobre ela, que repudiou seu ataque.
    ─ Calma. Assim você não aproveita nada. Sente-se na cama e saboreie o show que vou fazer para você.
Sentindo-se o mais sortudo dos homens, ele de imediato obedeceu. Com movimentos felinos, ela começou um strip tese que o fez suar e excitar-se tanto a ponto de quase ter uma polução. Depois de alguns minutos, sem tirar os sapatos de salto que a deixavam ainda mais esguia e sedutora e, vestindo somente uma linda e minúscula calcinha vermelha, ela sentou-se com a elegância de uma rainha no pequeno sofá que havia na suíte. Com um olhar obsceno, convidou-o a aproximar-se, mas antes que ele a tocasse, ela levantou a perna, repousando o pé no peito dele e impedindo o seu avanço.
    ─ Você sabe o que deve fazer primeiro, não sabe?
    ─ Sei, e estou louco por isso.
    ─ Vai ter mesmo coragem? ─ ela perguntou, enquanto movimentava o pé para os lados no peito dele.
    ─ Não preciso de coragem. Só preciso da vontade que estou sentindo agora.
Ela sorriu e o empurrou levemente para trás com o pé, abaixando a perna ao mesmo tempo em que abria o pequeno fecho lateral e despia a calcinha. Depois fez sinal para que ele se ajoelhasse e diante dele abriu seu corpo, revelando seu fluxo menstrual.
Já, totalmente fora de controle e, como havia prometido, ele lançou-se para frente, lambendo seu fluxo como se estivesse sedento de sangue. Ela segurou-lhe a cabeça entre as pernas e relaxou o corpo no sofá.
Somente depois de um bom tempo, ela finalmente soltou-lhe a cabeça. Não havia mais em seu corpo, sinal do seu fluxo menstrual.
Ele ergueu-se com a boca e as faces, tingidos de sangue. Ela sorriu e virou-se oferecendo-se. Ao sentir-se penetrada, ordenou que ele puxasse seus cabelos e mordesse seu pescoço.
Qualquer pessoa que presenciasse a cena, diria que naquele momento, um vampiro possuía de forma voraz, mais uma vítima indefesa. Triste engano.
Depois de atingir o clímax, ele levantou-se e caminhou lentamente, desabando na cama. Sentia-se inexplicavelmente exausto. Ela vestiu-se e o deixou ali, entregue a modorra do cansaço.
Caminhando sob os olhares de desejo ela sentia-se mais jovem, mais bela, revigorada. E achava graça dos vários gracejos que ouvia. Os homens achavam-se mesmo poderosos, uns devoradores, vampiros. Porém ela sabia que, homens não podiam ser vampiros, apenas lobos ensandecidos, ávidos por carne humana. Levavam a fama de vampiros apenas por serem bem adestrados e aceitarem lambuzar os focinhos no sangue de cada mês, em troca de uma suposta posse carnal.
Já as mulheres sim, estas eram os verdadeiros vampiros, pois tinham a capacidade de atrair, seduzir e dominar completamente suas vítimas, capacidade de submeter o próprio corpo e sangue ao apetite dos lobos, para em troca receber o fluido da vida e poder com ele tornar-se imortal. O tão sonhado elixir da longa vida, desejado por reis e rainhas, era na verdade um ritual de troca de fluidos e prazeres, que alçava homens à condição de lobos e mulheres à de vampiros. A famosa batalha entre lobos e vampiros, não passava de uma relação de sinergia entre as espécies, relação essa, que rapidamente evoluía para um estado de helotismo, do qual somente algumas fêmeas tinham consciência e domínio. Os lobos tornavam-se dependentes e passavam a buscar incessantemente por mulheres vampiros, pois somente o fluxo menstrual destas, era compatível para a troca de fluidos.
Algumas horas já haviam se passado, quando no motel, o homem acordou. Sentia-se irritado e com muita fome. Adentrando por suas narinas, um odor novo e estimulante, que ele jamais havia percebido com tanta avidez: o odor de sangue. Olhou-se no espelho e assustou-se ao ver sua imagem refletida de forma embaçada e o sangue ressecado a contornar-lhe a boca. Instintivamente, passou várias vezes, a língua pelos lábios e sentiu mais uma vez, o gosto dela, uma mistura peculiar de mel e fel. O néctar dos deuses. Ao sair do motel, só tinha em mente encontrar novamente a mulher que despertara nele, o seu instinto mais selvagem, seu lado caçador. Para ele, ela havia deixado de ser apenas mais uma mulher e, tornara-se uma necessidade vital.
Depois de deixar o carro no estacionamento do shopping, ele foi direto ao local onde a conhecera. Entrou na livraria com a esperança de vê-la sentada, folheando um livro como da primeira vez. Frustrou-se por não tê-la encontrado. Caminhou pelos corredores, atento, olhando cada mulher, não por desejo, mas tentando identificar em cada uma, o seu desideratum. Chegando à praça de alimentação, sentiu um forte cheiro de leite, que lhe causou náuseas. Olhou para o lado e ficou espantado ao ver um senhor com um copo de leite sobre a mesa, olhar para ele com certa curiosidade. Ignorou, seguindo adiante e, ao parar ao lado de uma mulher na escada rolante, sentiu novamente o cheiro de sangue a invadir-lhe. Ao olhar para a mulher, seus olhares se cruzaram e ele percebeu de imediato, a submissão de uma presa, quando ela não conseguiu manter o contato visual e abaixou a cabeça. No estacionamento, ele só precisou emparelhar seu carro ao dela e abrir a porta. Ela abandonou o próprio carro e entrou no dele. Nenhuma palavra foi dita. Pouco depois ele, fazia com ela, exatamente o que fizera com a deusa. Sugava todo o seu fluxo menstrual, com a voracidade de um lobo faminto. De olhos fechados, a mulher só conseguia soltar alguns gemidos e implorar por mais. Ele a virou de costas, e a possuiu com uma volúpia que há poucas horas não sabia sequer possuir. Completamente fora de si e dominada, a mulher agora, só conseguia balbuciar algumas palavras sem nexo. Ele então segurou firme em seus cabelos, enrolando-os na mão direita, enquanto abaixava e mordia seu pescoço. Ao senti-la estremecer de prazer, violentamente puxou para trás, os cabelos da mulher, quebrando-lhe o pescoço. Enquanto o corpo sem vida tombava, ele ainda introduzido, experimentou pela segunda vez naquele dia, uma sensação inimaginável. Era como se a vida da mulher tivesse se transferido para ele, para o seu corpo. Estremeceu com a sensação e, após isso, desfez a cópula. Não estava cansado como ficara antes, ao contrário, sentia uma enorme energia percorrer seu corpo.
Deixou o corpo da mulher, imerso na banheira e, retirou-se do motel imediatamente. Embora um pouco confuso, estava consciente de que fora submetido a uma estranha transformação ao relacionar-se com aquela deusa e, que precisaria encontrá-la novamente. Seus sentidos estavam aguçados, sua força ampliada, os instintos à flor da pele. Sua fúria animal, seu lado obscuro havia sido libertado e uma nova fase se iniciado em sua vida. A sensação de poder fazia-lhe bem.
Apenas o começo...

                                                               Autor: Cicero Coutinho

3 comentários:

  1. Muito bom meu amigo, meus parabens estou ansioso pela continuação da historia, não esqueça de enviar para mim, um abraço.

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  2. Oi Cicero,gostei desta história,achei um pouco bizarro,sua imaginação anda muito fértil,mas gostei da combinação da comparação a lobisomens e vampiros,juventude e desejo sexual,bons ingredientes.Me envie a continuação.Um abraço.
    Thiago Moura.

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